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Pravda.ru, 17.01.2018

EUA Precisa do Taliban para Justificar Presena Militar no Afeganisto

Entrevista com Associação das Mulheres Revolucionárias do Afeganistão. “A política externa dos Estados Unidos não muda com novos presidentes. As guerras de Trump, como as de Obama e de Bush, são guerras de conquista”

por Edu Montesanti, originalmente em ingls em Global Research (Canad)

Em 11 de setembro de 2012, aniversrio de 11 anos dos ataques de 2001 dentro dos Estados Unidos, Donald Trump tuitou:

"84% das tropas dos EUA feridas & 70% dos nossos valentes homens & mulheres mortos no Afeganisto, tm ocorrido com Obama. Hora de sair de l".

Assim que chegou a Casa Branca,tanto o discurso quanto a prtica mudaram completamente j fazendo o magnata nova-iorquino, proporcionalmente, o maior lanador de bombas e assassino de inocentes no Afeganisto.

"Qualquer um que se sente na Casa Branca, continuar servindo ao um por cento e espalhar guerras por todo o mundo para manter a hegemonia dos Estados Unidos. Muitas corporaes, fabricantes de armas e empregadores de mercenrios beneficiam-se com a prpria guerra, ou das enormes oportunidades de reconstruo da destruio criadas pela guerra", diz aps 16 anos de ocupao norte-americana ao Afeganisto a ativista local que se identifica apenas como Friba, lder e porta-voz da Associao das Mulheres Revolucionrias do Afeganisto (RAWA, na sigla em ingls), cujas mulheres-membros atuam, todas, no anonimato em territrio afego.

Em palestra na Rssia em agosto de 2016, em plena campanha presidencial de Donald Trump, o general Michael Flynn afirmou, jogando ainda mais gasolina sobre o fogo da "Guerra ao Terror":

"Estamos enfrentando outro 'ismo'; como enfrentamos o nazismo, o fascismo, o imperialismo e o comunismo. E o Islamismo, cncer terrvel no corpo de 1,7 bilho de pessoas neste Planeta, deve ser extirpado".

Assim que o magnata nova-iorquino assumiu a Presidncia da melhor democracia que o dinheiro pode comprar, em 20 de janeiro de 2017 exatamente Flynn foi apontado conselheiro de Segurana Nacional por Trump.

O Bilionrio Negcio das Megamortes Sistemticas

Trump tem dado mpar contribuio ao acirramento do dio religioso contra islamitas e rabes em geral, especialmente atravs da proibio da entrada de cidados de diversos pases de maioria muulmana, alm do drstico aumento dos bombardeios sobre o territrio afego.

Enquanto questionava, em campanha presidencial de 2016 por que os Estados Unidos ainda guerreavam no Afeganisto, at outubro de 2017 o regime de Trump despejou nada menos que 3.554 bombas no pas sul-asitico. Em 2016 haviam sido 1.337, e 947 em 2015. Em setembro do ano passado, o mandatrio estadunidense enviou mais trs mil tropas ao Afeganisto.

Ao mesmo tempo, o Taliban espalha-se ainda mais pelo pas - em fevereiro de 2017 ocupava 11% doterritrio afego, e 13% em agosto, o que significa acrscimo de 700 mil vivendo sob o regime terrorista -, o Estados Islamita recm-surgido revigora-se, e o nmero de civis mortos - inclusive pelos bombardeios estadunidenses - aumenta. Tudo isso servindo como justificativa para maior militarizao por parte dos Estados Unidos, apoiados na distoro miditica sobre a Guerra do Afeganisto.

Sobre isso, a ativista afeg garante:

"O aumento do nmero de tropas dos Estados Unidos no torna o pas seguro, nem derrota as criaes dos Estados Unidos, o Taliban e o Estado Islamita, pelo contrrio, funciona como mostra do poder norte-americano aos rivais Rssia, China e Ir".

Relatrio da Unama (Misso de Assistncia das Naes Unidas no Afeganisto, na sigla em ingls) publicado em julho do ano passado afirmou que em seis meses, o regime de Trump j havia assassinado civis no Afeganisto a um nvel superior em 67% comparado ao mesmo perodo do ano anterior.

Os lucros apenas com a invaso ao Afeganisto, mais longa guerra da histria dos Estados Unidos, confirmam a relao entre as afirmaes de Friba, as de Flynn e os criminosos ditos e feitos de Trump: em agosto de 2017 Neta Crawford, co-diretora de Cost of Wars Project da Brown University, estimou que o total gasto com as guerras no Iraque, Afeganisto e Paquisto desde 2001, est prximo dos cinco trilhes de dlares - apenas no Afeganisto, o regime de Washington j "investiu" cerca de 2 trilhes de dlares.

'Nova' Estratgia para o Afeganisto: Brincando de Tom & Jerry

Em 21 de agosto, o magnata nova-iorquino apresentou o que qualificou de Nova Estratgia para o Afeganisto, que implica ocupao por tempo indefinido at que o pas asitico encontre-se totalmente seguro, e um acrscimo - por enquanto - de mais de 10 mil militares norte-americanos em solo afego.

Eis a milenar ttica dos poderes opressores: criar problemas para vender soluo no que o povo afego tem sido uma das maiores vtimas do mundo, seno a maior, desde que as Torres Gmeas ruram em 11 de setembro de 2001.

Por outro lado, j no se recorda mais que o objetivo da invaso norte-americana era capturar Osama bin Laden - quem, alm de oficialmente morto, sempre negou ter tido qualquer participao nos maiores atentados terroristas em solo estadunidense de toda a histria.

Tampouco as sociedades globais, nem sequer a norte-americana lembra-se do prprio Tute de Trump em 11 de setembro de 2012, mencionado no incio - devido, especialmente, torrente de informaes e completamente fora de contexto por parte da grande mdia de embaralhamento do entendimento coletivo.

Terroristas 'Made in West'

Enquanto no Afeganisto, assim como em todos os pases onde aplica a "Guerra ao Terror", os maiores assassinos so as foras estadunidenses, dentro de casa a maior parte dos atos terroristas , de longe, perpetrada por cidados norte-americanos brancos e protestantes. Em penltimo lugar da lista do FBI, aparecem os islamitas.

"Apesar de todas as diferenas, o objetivo dos Estados Unidos e do Ir no Afeganisto coincidem em uma questo: na promoo da ideologia fundamentalista, e na continuao do apoio aos fundamentalistas mais reacionrios, mentalidade retrgrada e criminosos", denuncia Friba ao apresentar um cenrio bastante familiar aos latino-americanos, especialmente quando o assunto guerra suja de Tio Sam que inclui a formao de fantoches entre as elites locais, projetados como celebridades e at intelectuais pela grande mdia subserviente aos ditames de Washington.

"Enquanto os Estados Unidos mataram centenas de afegos revolucionrios e libertrios atravs de seus fundamentalistas nos anos de 1980 e 90, Washington usa tais tticas para evitar a ascenso de personagens nacionalistas, libertrios e independentes alm de foras que resistiriam ocupao e opresso".

Imperialismo Cultural: Capitalismo Seduzindo Almas Afegs

Sobre a "compra" da alma de jovens afegos abordada nesta entrevista, Friba havia comentado o seguinte de modo particular, em outubro de 2017, em resposta s observaes deste comunicador de que, no Brasil e na Amrica Latina em geral, h evidncias de financiamento de Washington a jovens lacaios que inclui dceis recepes das embaixadas estadunidenses, em seus respectivos pases:

"Temos muita experincia com este tipo de 'gentileza' e encontros da Embaixada dos Estados Unidos com afegos. O imperialismo dos Estados Unidos no se solidariza com a juventude, com mulheres e com crianas, nem com as suas prprias.

"Os Estados Unidos nunca atuam em um pas visando sua melhoria, mas por seus prprios interesses e objetivos. Enquanto os latino-americanos tm sido, h muito tempo, vtimas das mudanas de regime por parte de Washington, o Afeganisto tem experimentado a ocupao".

Nesta entrevista, Friba aprofunda-se na questo e, entre outros programas de "ajuda" estadunidense em solo afego, fala de deste: o Leadership Program International Visitor(Programa de Liderana do Visitante Internacional), "que reverbera os mtodos de treinamento da CIA".

Cursos de lderes realizados em territrio estadunidense, sonho de consumo de parte da juventude latino-americana, especialmente religiosa (cuja estrutura bem menos transparente que a da prpria poltica alm, claro e nem poderia ser diferente dentro disso, ferrenha defensora do sistema vigente em nome de Deus), tambm so bastante comuns na formao de indivduos que acabam glorificando raivosamente os "iguais" (entenda quem quiser) no lado de c do planeta, vale destacar.

L tal qual c, atuam inclusive em universidades e ONGs de fachada a fim de impor no imaginrio coletivo que a ocupao norte-americana natural e necessria, neutralizando com isso o engajamento da sociedade por um pas livre e soberano.

O sistema de ensino afego, observa Friba, est moldado pelo poder imperialista para inculcar os jovens "a aceitar a ocupao como natural e necessria a fim de salvar nosso pas, e em um sentido mais amplo evitar falar em poltica": algum no Brasil j ouviu o difundido lema que diz que poltica no se discute? Pois .

E segue Friba no mesmo sentido: "Evitar falar contra o governo e, especialmente, discutir temas progressistas": tambm por terras tupiniquins que, de maneira indita a nvel global, tenta-se enfiar goela abaixo da sociedade uma tal de Escola sem Partido, que probe o professor de apresentar matrias de maneira crtica para alm do livro didtico, estabelecendo debates e at mesmo expondo suas prprias ideias.

Isso tudo alm de meios de comunicao autoproclamados "livres" que, de acordo com Friba, "trabalham ativamente no controle da opinio pblica, em favor da colonizao dos Estados Unidos".

Neste ltimo caso, a mesma USAID (famosa mundialmente por se tratar de ONG de fachada da CIA) que passou a atuar no sistema de ensino brasileiro logo aps o golpe militar de 1964 - e formou as milhes e milhes de figuras tupiniquins dos perfeitos idiotas que to bem quanto desgraadamente conhecemos -, a maior doadora financeira da grande mdia afeg.

Em contraposio a isso tudo, todos os anos, entre 6 e 8 de outubro, centenas de cidados progressistas como as mulheres da RAWA, saem s ruas de Cabul para protestar contra a invaso norte-americana em 7 de outubro de 2001 que apenas acirrou a violncia, e multiplicou a produo de pio de cuja planta se produz a herona, cujo contrabando traado pela CIA.

Uma minoria local que tem estado na linha de frente contra quatro fortes inimigos locais: os senhores da guerra, os talibs, as foras de ocupao dos EUA/OTAN, e o Estado Islamita recm-surgido.

E contra um falido sistema capitalista que no est tirando o pas sul-asitico da misria nem da extrema violncia, o que o capitalismo incapaz de fazer. Pelo contrrio: est afundando ainda mais o Afeganisto no lamaal e na vergonha mundial, utilizando-se de todos os recursos para executar exatamente aquilo que garante sua sobrevivncia mundo afora: comprar conscincias, calar vozes mais covardes e propagandear um universo que no existe sequer nas imaginaes mais ingnuas.

Narcotrfico Afego Traado pela CIA

Grfico das Naes Unidas mostra o meterico crescimento da produo de pio no Afeganisto aps a invaso dos Estados Unidos, batendo recordes ano a ano atingindo a cifra de 224 mil toneladas em 2016.

s vsperas de tal invaso, essa produo havia sido praticamente erradicada, encontrando-se na faixa das 8 mil toneladas de pio produzido em 2001, para logo no ano seguinte saltar para 74 mil. "A produo de droga e do narcotrfico constituem-se a base da nossa economia, com milhes de viciados como seu sinistro resultado", lamenta Friba.

Diante de tais nmeros (nada divulgados pela grande mdia de manipulao das massas), vale ressaltar que a sociedade estadunidense a maior consumidora de drogas do mundo.

Pois o narcotrfico to comprovado quanto antigo financiamento aos empreendimentos imperialistas por todo o mundo - Ir-Contras foi um dos escndalos mais emblemticos neste sentido, envolvendo diretamente Ronald Reagan e a prpria CIA.

O Que a Grande Mdia No Quer Ver

Tudo isso comenta na conversa a seguir a porta-voz das revolucionrias afegs, como sempre de maneira muito aberta, contundente e precisa em cima de fatos, e dados estatsticos envolvendo a criminosa "Guerra ao Terror".

Irm siamesa da "Guerra s Drogas", trata-se de empreendimento imperialista essencial no projeto de dominao global dos Estados Unidos sob precrio verniz maniquesta planejado, muito antes de 11 de setembro de 2001, para ser uma batalha sem fim atrs dos interesses econmicos e geoestratgicos do Imprio moribundo, o mais terrorista da histria da humanidade que forma parceria de relativo sucesso com a grande mdia de imbecilizao em massa e, de acordo com Friba, com os piores criminosos afegos e regionais que, blindados por Washington, gozam do poder local e aterrorizam livremente a sociedade.

Edu Montesanti: Fale do protesto do ltimo dia 6 de outubro, em Cabul.

RAWA: O protesto de 6 de outubro foi organizado Partido Solidariedade Afeganisto [SPA, na sigla em ingls], contra o 16 aniversrio da invaso dos Estados Unidos ao Afeganisto. O SPA um partido nacionalista e progressista que defende a independncia, a liberdade, a democracia, o secularismo e a igualdade. Este protesto realizado todos os anos, em outubro.

Os manifestantes exigiram o fim da ocupao e da interveno dos Estados Unidos e seus aliados no Afeganisto, alm de outros poderes regionais. Eles levaram cartazes expondo os terrveis crimes dos Estados Unidos no Afeganisto, e exigiram o fim da ocupao atravs de lemas como "No ocupao!", "No s bases militares dos EUA/OTAN no Afeganisto!", 'Com EUA/OTAN, paz e prosperidade so apenas miragens!", entre outros.

O Partido tambm condenou os fantoches do governo afego, compostos por criminosos fundamentalistas jihadistas, e o recente acordo de paz formalizado com Gulbuddin Hekmatyar.

O SPA tambm organiza manifestaes em 28 de abril, dia em que os fundamentalistas jihadistas criminosos tomaram o poder em Cabul, em 1992 - os mesmos jihadistas que formam o governo fantoche dos Estados Unidos hoje -, e em solidariedade aos movimentos libertrios internacionais, tal como a luta curda.

Edu Montesanti: Particularmente, voc tem me falado de muitos jovens afegos "comprados" pelo regime de Washington. Eu mesmo, como j lhe disse, conheci alguns desses fantoches afegos que receberam bolsas de estudo nos Estados Unidos e conquistaram espao na mdia local, de maneira que pude comprovar a fantica agressividade diante de toda e qualquer crtica ocupao norte-americana ao Afeganisto, claramente decorrente de um profundamente crebro lavado. Detalhe isto, Friba.

RAWA: H quarenta anos, os Estados Unidos comearam a trabalhar em seu projeto, investindo na juventude afeg a fim de torna-los seus quadros para os objetivos de longo no Afeganisto.

A CIA educou e treinou seus lacaios, poltica e militarmente, criando lacaios leais que constituiriam seu futuro governo fantoche aps tomarem o pode no Afeganisto, e ajudou a realizar confortavelmente seus objetivos.

Entre seus primeiros recrutados, atravs de programas como Peace Corp e matrculas na Universidade Americana de Beirute, estavam Zalmai Khalilzad, Hamid Karzai, Ashraf Ghani, Farooq Wardak, Azizullah Ludin, Yousuf Pashtun, e Anwar Ahadi, que lideraram o governo afego e outras posies-chave do poder desde 2001.

Karzai Ghani Wardak Ludin Afghan politicians supported from youth by the US/CIA
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2001 assistiu a uma nova onda de programas que treinaram a juventude para servir ocupao dos Estados Unidos. Infelizmente, esses agentes educados e treinados pelos Estados Unidos tm crescido no Afeganisto, e continuam aumentando atravs de programas como Fulbright Program - o Afeganisto o maior receptor deste programa de bolsas de estudo atualmente -, alm de Leadership Program International Visitor, que reverbera os mtodos de treinamento da CIA.

Alm dos proeminentes tteres mencionados anteriormente, h novos quadros tais como Amrullah Saleh, Hanif Atmar, Nader Naderi, Javed Ludin, Asad Zamir, Wahid Omar, Siddique Siddiqui, Sima Samar, Dadfar Spanta, Saad Mohseni, Javad Tayyab, Azam Dadfar, Daud Muradyan, entre outros.

Aps dcadas de investimento, hoje os Estados Unidos tm uma quantidade suficiente de burocratas civis para formar vrias geraes de traidores fantoches no Afeganisto.

importante mencionar que dcadas depois do colapso do propalado regime comunista de 1978 a 1992, das faces Khalqi e Parchami, muitos agentes afegos da KGB e diversos outros lacaios juntaram-se aos crculos dos lacaios estadunidenses, isto , os mercenrios fundamentalistas islamitas enquanto eles tomavam o poder aps 1992.

Hanif Atmar, um dos mais importantes personagens do atual governo, foi um cruel torturador e assassino de revolucionrios e intelectuais durante o perodo de Khalq e Parcham. Farid Mazdak, Noor ul Haq Oloomi, Mohammad Gulabzoy, Dastgeer Panjsheri, Abdullah Shadan, Shahnawaz Tanai, que era ministro de durante o governo fantoche dos soviticos mas deu as mos aos infames senhores da guerra fundamentalistas, Gulbuddin em uma tentativa de golpe, Khalil Zimar, entre outros.

Escritores como Latif Pedram, Rahnaward Zaryab, Partaw Naderi, Wasif Bakhtari, entre outros, tambm seguiram o mesmo caminho e esto servindo ao governo fantoche dos Estados Unidos atualmente.

O nmero de ONGs no Afeganisto aumentou dramaticamente aps a invaso dos Estados Unidos, outra ferramenta nas mos de Washington para neutralizar nossa juventude da luta revolucionria contra os invasores estrangeiros, e seus lacaios locais.

Essas ONGs recebem enormes somas em dinheiro da Embaixada dos Estados Unidos e de infames organismos como USAID, tambm amplamente envolvida em criminosos projetos antipopulares na Amrica Latina desde seu incio, e criaram uma nova e falsa classe de jovens que are recebendo grandes somas em dinheiro, em troca de se colocar em prtica os objetivos norte-americanos em nosso pas.

A difuso desse "imperialismo cultural" tem sido sempre a funo das ONGs financiadas pelos Estados Unidos em todo o mundo. A juventude dessas ONGs hoje s v os interesses dos Estados Unidos no Afeganisto, e fazer propaganda para os Estados Unidos, no em favor de seu povo ou de seu pas.

Esses jovens tm sofrido lavagem cerebral atravs de dinheiro e poder, alm de promessas de uma confortvel vida fora no exterior, distanciando-os da luta nacionalista e progressista pela independncia e liberdade do pas.

Grupos fundamentalistas de mentalidade retrgrada, tais como Jamiate Islahe Afghanistan, uma organizao Salafi, so igualmente financiadas pelos dlares norte-americanos a fim de difundir a ideologia Ikhwai, e ideias retrgradas entre nossa juventude.

Esses novos recrutas no apenas ocupam posies de alto escalo no Estado, como so tambm os criadores e doadores da maioria das ONGs e da propalada mdia "livre" do Afeganisto. Esses meios de comunicao trabalham ativamente no controle da opinio pblica, em favor da colonizao dos Estados Unidos. A USAID , tambm neste caso, a maior doadora desses rgos no Afeganisto.

As Universidades, tanto particulares quanto pblicas, tambm segue a programa de estudos e um mtodo de ensino pr-imperialismo e pr-Estados Unidos, particularmente pr-ocupao estadunidense.

Os jovens so ensinados a aceitar a ocupao como natural e necessria a fim de salvar nosso pas, e em um sentido mais amplo evitar de se falar em poltica, contra o governo e, especialmente, evitar discutir temas progressistas e revolucionrios.

Quando o atual presidente, Ashraf Ghani, foi nomeado reitor da Universidade de Cabul em 2005, garantiu que nenhuma discusso nem atividades polticas fossem realizadas nocampus.

Todos esses esforos ajudaram a evitar a emergncia de uma fora ativa anti-ocupao por parte da juventude.

O Ir tem tido grande sucesso no Afeganisto no sentido de espalhar influncia cultural e poltica no Afeganisto tambm, talvez ainda mais que os prprios Estados Unidos.

Nas ltimas trs dcadas, o regime teocrtico iraniano investiu e atuou com seus agentes traidores afegos, tanto militares quanto intelectuais, alm de ter criado e financiado partidos e organizaes islamitas fundamentalistas de sua prpria espcie no Afeganisto, como o Partido Wahdate Islami, Ittelaf Milli, e Harkate Sheikh Mohseni.

Hoje, alm de colaborar com o criminoso Taliban e comprar pessoas do governo - o ex-presidente Karzai admitiu que seu gabinete recebeu malas de dinheiro do Ir -, Teer possui uns tantos propalados "intelectuais" sua disposio, os quais so porta-vozes do regime fascista iraniano e atuam ativamente nos canais de TV e jornais financiados pelos iranianos a fim de espalhar o vrus iraniano Vilayat-e Faqih em nosso pas, e educar e treinar a juventude com o mesmo propsito. Entre eles esto Kazim Kazimi, Husseini Mazari, Rizwani Bamyani, Noor Rahman Akhlaqi, Zikria Rahil, Jawad Mohseni, entre outros.

Exatamente como os Estados Unidos, o Ir tambm exerce suas atividades encobertas de inteligncia e culturais em nosso pas sob ditos populares como "ajuda humanitria", alm de propaladas organizaes de caridade como a Imam Khomeini Relief Foundation. Essas atividades marcam a mais perigosa espcie de interveno do regime iraniano.

Como disse um funcionrio do governo de alto escalo ao Wall Street Journal em 2012, "O Ir exerce a verdadeira influncia aqui. Com um estralar de dedos, eles podem mobilizar 20 mil afegos. Isso muito mais perigoso que os homens-bomba vindos do Paquisto".

Apesar de todas as diferenas, o objetivo dos Estados Unidos e do Ir no Afeganisto coincidem em uma questo: na promoo da ideologia fundamentalista, e na continuao do apoio aos fundamentalistas mais reacionrios, mentalidade retrgrada e criminosos. Essa a razo pela qual os Estados Unidos no detm tais atividades em nosso pas.

Os Estados Unidos nunca atuam em um pas visando sua melhoria, mas por seus prprios interesses e objetivos. Enquanto os Estados Unidos tm matado centenas de revolucionrios e libertrios afegos atravs dos mercenrios fundamentalistas nos anos de 1980 e 90, Washington usa tais tticas para evitar a ascenso de personagens nacionalistas, libertrios e independentes alm de foras que resistiriam ocupao e opresso.

Edu Montesanti: Como voc v o Afeganisto desde que Donald Trump assumiu a Presidncia em janeiro de 2017, em comparao aos anos do ex-presidente Obama? E qual sua viso, especialmente, da nova estratgia do presidente Trump para seu pas?

RAWA: Apesar das diferenas em polticas domsticas, o que absolutamente certo que a poltica externa dos Estados Unidos no muda com novos presidentes. A situao do Afeganisto no mudou e nem mudar com Trump, em relao ao que foi com Obama. As guerras de Trump, como as de Obama e de Bush, so guerras de conquista.

Qualquer um que se sente na Casa Branca, continuar servindo ao um por cento e espalhar guerras por todo o mundo para manter a hegemonia dos Estados Unidos. As corporaes norte-americanas querem o petrleo e as riquezas naturais dos pases ocupados, privatizar companhias estatais e vender produtos dos Estados Unidos nos novos mercados que a guerra abre a eles. Muitas corporaes, fabricantes de armas e empregadores de mercenrios beneficiam-se com a prpria guerra, ou das enormes oportunidades de reconstruo da destruio criadas pela guerra.

O perodo de Trump, mais que qualquer outro antes, evidencia as rachaduras no sistema decadente e apodrecido dos Estados Unidos. O prprio fracasso continuado de Trump em montar seu gabinete e a equipe de governo, alegaes de interferncia russa nas eleies, os conflitos entre a Casa Branca e o Congresso, a guerra perdida na Sria, os atoleiros de guerra no Afeganisto e Iraque, e a overall deteriorao da situao da prpria sociedade estadunidense - aumento das desigualdades, precrias instalaes sociais, tiroteios em massa, galopante racismo contra afro-americanos e outras minorias, entre outras inmeras questes -, so apenas alguns problemas dos Estados Unidos.

MOAB used in Afghanistan

Por sua vez, as enormes conquistas financeiras e econmicas de Rssia e China tambm freiam o poder e a arrogncia de Washington. Os Estados Unidos tm negado sua derrota, e est desesperadamente s agarrando ltima esperana em relao dominao global atravs da ocupao do Afeganisto.

Os ataques com bombas MOAB [Massive Ordnance Air Blast, tambm conhecidas como a "Me de Todas as Bombas] e o aumento de tropas so demonstraes de poder aos seus rivais. Os Estados Unidos sabem que se deixarem o Afeganisto, repetir-se- o pesadelo da Guerra do Vietn, o que no pode ser permitido diante dos poderes emergentes que so Rssia e China.

Apesar da enorme cobertura miditica envolvendo a propalada "nova estratgia" anunciada por Trump, a estratgia, na verdade, no traz nada novo. a continuao das polticas belicistas e agressivas dos Estados Unidos, as quais afundaro nosso pas na ocupao e nas sangrentas rivalidades dos poderes globais.

Os objetivos de longo prazo dos Estados Unidos em nosso pas e na regio, permanecem inalterados - ocupar o Afeganisto em nome de seus interesses geoestratgicos, de total dominao para superar rivais econmicos, Rssia e China.

A flutuao do nmero de tropas, que tem ocorrido nos ltimos dezesseis anos, no muda e no tem mudado com essa estratgia. S agora, os Estados Unidos planejam pilhar os minrios do Afeganisto, que valem bilhes de dlares, na tentativa de financiar seus novos custos de guerra. Trump mencionou seu interesse no assunto em uma conversa por telefone com Ashraf Ghani, e o presidente traidor aceitou o pedido imediatamente.

O aumento do nmero de tropas estadunidenses no torna o pas seguro nem aniquila as criaes dos Estados Unidos, o Taliban e o Estado Islamita, pelo contrrio, servem para mostrar poder s rivais Rssia, China e Ir. O reforo do poder areo na nova estratgia matou dezenas de civis em bombardeios cegos, levados a cabo pelo criminoso exrcito dos Estados Unidos em diversas partes do Afeganisto em apenas poucas semanas.

As nicas pessoas que aplaudem esta "nova" estratgia so os lderes da mfia fantoche do governo do Afeganisto, e seus intelectuais lacaios pois seus mestres decidiram para prolongar a sua ameaadora existncia, estendendo sua estada em nosso pas.

No devemos nos deixar enganar ainda pela "presso" dos Estados Unidos sobre o Paquisto. A histria de ambos os pases remonta a dcadas, quando o imundo governo e o terrorista exrcito do Paquisto treinaram e exportaram os grupos mais sanguinrios e reacionrios do nosso pas, de acordo com as ordens e os dlares da Casa Branca.

Os Estados Unidos estavam muito bem informados sobre o papel do Paquisto no empoderamento do Taliban nos ltimos dezesseis anos, mas ainda assim forneceu bilhes de dlares e equipamento militar ao pas pela proximidade ao governo fantoche de Cabul; o Ocidente precisa do Taliban para justificar sua presena militar no Afeganisto.

Basicamente, Trump attempted to drag o Paquisto e a ndia guerra no Afeganisto, e advertiu o Paquisto pela crescente proximidade com Rssia e China, ao invs de realmente pression-los a deter o apoio ao Taliban e a outros grupos terroristas.

Edu Montesanti: O que voc pode dizer hoje, em relao ao histrico narcotrfico em seu pas traado pela CIA?

RAWA: A CIA possui uma longa histria de envolvimento com o trfico global de drogas, em todas as partes do mundo sob controle dos Estados Unidos ou onde exera considervel influncia. Enquanto poucos casos tenham sido investigados e expostos por jornalistas, a questo continua debaixo das sombras.

A histria da CIA com o comrcio de drogas comeou nos anos de 1980s. As drogas eram vistas como um meio rpido e fcil de financiar os CIA proxies e foras paramilitares, em diferentes pases. Gary Webb, o corajoso jornalista que denunciou o escndalo do trfico de drogas dos Contra Nicaraguense e que acabou sendo levado ao suicdio por causa de uma intensa campanha de desprestgio pela grande mdia, descreveu o processo desta maneira:

"Ns [a CIA] precisamos de dinheiro para uma operao secreta, e o mais rpido meio de levant-lo atravs da venda de cocana; vocs a vendam em algum lugar, ns no sabemos de nada disso."

US troops in opium field in Afghanistan

Esta ttica funcionou de maneira bastante exitosa no Afeganisto durante a Guerra Fria, quando as foras de mujahideen [combatentes] serviram os Estados Unidos foram financiados atravs das drogas.

Antes da invaso dos Estados Unidos em 2001, a produo de droga foi quase que completamente erradicada pelo Taliban. Logo aps a invaso norte-americana [outubro de 2001], a produo de droga comeou a crescer drasticamente e hoje o Afeganisto produz noventa por cento do pio mundial, e beira de tornar-se um narco-Estado. H relatos de que foras estadunidenses admitiram que as drogas tm fludo do Afeganisto em avies dos Estados Unidos.

Ahmad Wali Karzai, o hoje morto governador da provncia de Kandahar, foi em determinado perodo o maior traficante de drogas no apenas do Afeganisto, mas tambm da regio. Durante todo o tempo, ele foi pago pela CIA. Tem havido at mesmo reconhecimentos de funcionrios estadunidenses diretamente envolvidos com as operaes da droga no Afeganisto, sobre o envolvimento da CIA.


Opium production chart of Afghanistan by UN
Source: United Nations, Vienna

Edwrad Follis, agente da DEA (Drug (...) Agency] afirmou que a CIA "fechou um olho" ao comrcio de drogas no Afeganisto. Mais recentemente, John Abbotsford, ex-analista da CIA e veterano de guerra que lutou no Afeganisto, confessou que a CIA desempenhou papel no narcotrfico.

Ainda que excluamos esses reconhecimentos e relatos, difcil acreditar que uma superpotncia que se jacta de sua moderna tecnologia em vigilncia e em coleta de dados de inteligncia, no seja capaz de encontrar campos de produo de pio nem traar rotas de suprimento dentro de um pas que ocupa.

O fato de que oito bilhes de dlares tenham sido gastos em esforos na erradicao da droga na ltima dcada, mas a produo de pio tem aumentado meteoricamente, por si s um indicador de que o negcio das drogas serve a determinados interesses dos Estados Unidos no Afeganisto, ou os norte-americanos poderiam t-lo encerrado h muito.

Outros atores dos propalados esforos contranarcticos so os contratistas privados dos Estados Unidos, que ganham milhes de dlares atravs dos contratos contranarcticos. Um dos maiores beneficirios a famosa companhia militar Blackwater, que de acordo com a RT obteve 569 milhes de dlares desses contratos.

Companhias particulares contratadas tm dividido enormes lucros com a guerra no Afeganisto, e essa fracassada guerra s drogas resulta em enormes lucros para elas.

A produo de droga e do narcotrfico constituem-se a base da nossa economia, com milhes de viciados como seu sinistro resultado.



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