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Global Research, 04.11.2016

O Novo Pearl Harbor E A Propaganda Do Terror. Recontando os Crimes que Mudaram o Curso da Histria

“O governo dos Estados Unidos tem dado as mãos aos mais brutais inimigos do povo afegão, e instalado pessoas infames e corruptas em cargos-chave de seu regime-fantoche para avançar em seus interesses regionais no Afeganistão”

By Edu Montesanti

Em maio de 2014, o historiador suo Daniele Ganser questionou em Journal of 9/11 Studies: Os historiadores, hoje e nos prximos anos, enfrentam uma tarefa desafiante: devem escrever a histria dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001. O que escreverem, ser ensinado nas aulas de Histria. Mas o que escrevero? Que Osama bin laden enviou 19 muulmanos a fim de executar um ataque de surpresa nos EUA? Ou escrevero que a administrao de Bush foi responsvel pelo ataque, seja arquitetando-o ou deliberadamente permitindo a fim de chocar a populao dos EUA, criar um pretexto para aumentar os gastos militares, e atacar Afeganisto e Iraque?.

Longe de esclarecimentos ao mesmo tempo que acarretam consequncias catastrficas humanidade, os ataques do 11 de Setembro (11/9) nos Estados Unidos mudaram o curso da histria muito mais que pelo atrativo jornalstico capaz de transmitir, ao vivo e com requintes de Hollywood o choque Torre Sul do complexo do World Trade Center em Nova Iorque duas emissoras simplesmente anteciparam, uma delas em uma hora, a queda do terceiro edifcio, o Word Trade Center 7 jamais atingido por nenhum avio, ambos os fatos quem chama profunda ateno e geram inmeros questionamentos, at hoje no explicados.Procurado pela reportagem, o ativista e escritor norte-americano Kevin Ryan, um dos maiores investigadores das implicaes do 11/9, autor de Another Nineteen: Investigating Legitimate 9/11 Suspects, membro-fundador da Scholars for 9/11 Truth & Justice, do 9/11 Working Group of Bloomington alm de diretor do Architects and Engineers for 9/11 Truth e co-editor do Journal of 9/11 Studies desde 2006, questiona: Ou o terrorismo foi facilitado dentro dos Estados Unidos, ou o governo inexplicavelmente fracassou ao responder quando a nao foi atacada.Segundo a verso oficial, os maiores ataques em solo norte-americano da histria foram arquitetados de uma caverna no Afeganisto pelo saudita de origem iemenita Osama bin Laden quem, treinado, financiado e armado nas fileiras de Washington durante a Guerra Fria, esteve s vsperas dos atentados sob tratamento de hemodilise no Hospital Americano de Dubai, capital dos Emirados rabes, amigavelmente visitado por agentes da CIA. Em poucos dias, como se tudo j estivesse de antemo preparado, as foras norte-americanas e da OTAN j encontravam-se organizadas para combater na propalada Guerra ao Terror.Declarada de uma catedral pelo ento presidente dos Estados Unidos George W. Bush, citando salmos ao lado de um rabino, de um padre e de um pastor evanglico, nos 15 anos cumpridos em 7 de outubro (data da invaso ao Afeganisto, em 2001), esta arbitrria guerra, mais longa ocupao militar da histria dos Estados Unidos que fere todas as leis internacionais e a prpria Constituio norte-americana (a qual desautoriza guerras de agresso), e que desde o incio recusa-se em levantar provas e realizar julgamentos, tem gerado centenas de milhares de refugiados em todo o mundo, alm de ter assassinado mais de um milho e meio de civis apenas no Afeganisto e no Iraque, Estados que jamais atacaram nem sequer apresentaram, em nenhum momento na histria, ameaa segurana dos Estados Unidos.Crimes por foras policiais ocorridos inclusive na Europa, como no caso do estudante brasileiro Jean Charles de Menezes de 27 anos, baleado pelas costas por ter sido confundido com um suspeito de prticas terroristas pela Polcia de Londres em 2005; um dentre milhes de crimes jamais investigados nesta maniquesta guerra que rompeu a poltica externa norte-americana e as relaes internacionais em quase 400 anos, desde a assinatura da Paz de Vestflia que, em 1648, colocou fim Guerra dos Trinta Anos na Europa surgindo como marco no equilbrio de foras internacional, ao garantir a soberania das naes. Sobre o Estado policialesco que se tornou tambm o Reino Unido desde que teve incio a Guerra ao Terror, o ativista britnico pelos direitos humanos Peter Tatchell, com longa histria de luta e vtima perseguies e detenes pela causa das minorias em seu pas, conta que o Reino Unido introduziu a deteno sem acusao ou julgamento de suspeitos de terrorismo.

J nos epicentros da chamada luta contra o terrorismo, do ponto de vista da proteo de civis ambas as operaes tm sido um desastre, afirma o finlands Timo Kivimki, professor de Relaes Internacionais e diretor de Pesquisa da Universidade de Bath (Reino Unido), especialista em terrorismo global, um dos poucos acadmicos sbrios ao pensar o assunto que tambm traz, nesta reportagem, anlises de como superar o terrorismo global. Mas os atentados do 11/9 mudaram o destino da humanidade, sobretudo, pelo estado permanente de medo nos quatro cantos do planeta que, inevitavelmente, alimenta desde o incio a Guerra ao Terror apoiada em to forte quanto precrio apelo moralista e religioso: intolerncia contra toda e qualquer diferena, especialmente islamitas de origem rabe estigmatizados pela mdia, incluindo a indstria cinematogrfica norte-americana. Atravs disso, direitos civis tm sido feridos sem precedentes em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos com a introduo da Doutrina Bush seguida, em grande medida, por Barack Obama hoje em determinados casos at ampliada, como a vigilncia domstica e global que se apoia, pateticamente, no discurso de segurana nacional. Profundo estado de tenso internacional levado s ltimas consequncias, sentido na vida cotidiana dos sete bilhes de habitantes da Terra hoje das mais diversas maneiras e nos mais diversos locais, pblicos ou no.

O medo funciona. O povo amedrontado faz qualquer coisa. Para que sintam medo preciso criar uma aura de ameaa eterna. Os terroristas [do governo dos Estados Unidos] nos manipulam: sobem o alerta para laranja, depois para vermelho, e voltam para laranja. Eles misturam mensagens, e voc enlouquece. como treinar um co: se voc disser sente e role ao mesmo tempo, ele no saber o que fazer. O povo norte-americano vem sendo tratado assim! Estimulam o medo do povo. impossvel que algum consiga viver assim, sempre no limite. O alerta no cair para verde ou azul, nunca chegar l!, afirmou Jim McDermott, ex-congressista e psiquiatra norte-americano, no documentrio Fahrenheit 9/11, do cineasta Michael Moore.

Com a imposio do medo por certos governos, grandes guerras e invases foram perpetradas ao longo da histria e abriram caminho para a imposio de polticas de linha dura, blindando a corrupo desenfreada das classes dominantes. No caso especfico dos Estados Unidos no incio deste sculo, os crimes do 11/9 foram pretexto para guerras de agresso j previstas, empreendidas para consolidar o poder atravs da pilhagem de recursos naturais, afirma Ryan. Durante os anos de Obama, quem chegou Casa Branca sob discurso pacifista e defesa dos direitos humanos, houve acirramento da agressividade das foras militares no Oriente Mdio, e nenhuma investigao sobre as implicaes do 11/9.

Particularmente sobre a mdia corporativa internacional, desde o incio optou pelo sensacionalismo e pela gerao de histeria, favorecendo o discurso do governo local e sem nenhuma motivao investigativa. Na sociedade de hoje, a mdia no uma ferramenta para informar o pblico. de entretenimento e propaganda. As pessoas no so entretidas por questes que desafiam seriamente as principais instituies de suas vidas, pontua Ryan. Quando os meios de comunicao predominantes relatam as questes no respondidas do 11/9, geralmente so muito limitados. Nunca vemos reportagens sobre os testemunhos do bombeiro nas exploses secundrias nos edifcios do World Trade Center [relatando explosivos contidos dentro da Torre, desde o subsolo at os andares superiores], nem investigao sobre os exerccios militares que obstruam as respostas de defesa area naquele dia. No ouvimos nada sobre como setenta por cento das questes das famlias das vtimas do 11/9 permanecem sem resposta diante da verso oficial.

Os crimes do 11/9 tambm tm servido para que o governo dos Estados Unidos, sem aval judicial nem sequer provas, mantenha preso pelo tempo que a Casa Branca e a CIA determinarem, e torture das maneiras mais cruis civis suspeitos de prticas terroristas. Sobre isto, o ex-agente da CIA John Kiriakou traz srias revelaes. Fiquei em silncio de 2002 at 2007. Decidi, finalmente, denunciar em dezembro de 2007 depois que o presidente George W. Bush mentiu duas vezes ao povo norte-americano. Ele disse, na primeira vez, que os Estados Unidos no torturavam ningum, conta Kiriakou, quem se demitiu da Agncia de Inteligncia e ficou dois anos preso por denunciar a administrao de Bush.

E a realidade do Afeganisto, cuja ideia imposta ao inconsciente das sociedades ocidentais pela mdia predominante que se trata de nao cujas vidas so de menos valor, trazida do prprio pas sul-asitico por duas importantes vozes que denunciam, em altssono: Vivemos um 11 de Setembro todos os dias no Afeganisto. So elas: a lder da Associao das Mulheres Revolucionrias do Afeganisto (RAWA, na sigla em ingls), que se identifica apenas como Friba para sua segurana, e a ativista pelos direitos humanos, escritora e ex-parlamentar expulsa injustamente do cargo por denunciar membros narcotraficantes e acentuadamente misginos colocados no poder pelos Estados Unidos, Malala Joya, quem, jurada de morte, vive escondida, nunca dorme duas noites na mesma casa e se movimenta pelo pas apenas de txi debaixo de uma burca, com 12 seguranas fortemente armados.

Realidade cruel que a mdia de desinformao global tem se recusado a apresentar a no ser quando se trata de lanar mais gasolina sobre o fogo terrorista, com a velha pitada de petrleo rabe tornando-se, assim, perfeita propagandista do terror e dos interesses belicistas, econmicos e estratgicos do Imprio de turno.

Combate ao Terror, Crimes de Guerra e Narcotrfico

Em 3 de outubro de 2015, o hospital de Mdicos sem Fronteiras na cidade afeg de Kunduz foi bombardeada por engano pelas foras norte-americanas, deixando como saldo 42 mortos e a destruio completa das instalaes do centro de sade. Tal equvoco tem sido uma constante diria no Afeganisto desde outubro de 2001. No pas sul-asitico, o cenrio catastrfico: dia a dia inmeras residncias, escolas e hospitais destrudos deixando dezenas de milhares de inocentes mortos incluindo crianas, mulheres e idosos, alm de um nmero ainda maior de invlidos.Kivimki enftico ao se referir suposta luta do bem (Ocidente) contra o mal (muulmanos e rabes em geral): No h nenhuma Guerra contra o Terror. Se houvesse, no usaria o terror como ttica. Na realidade, novas invases ao Oriente Mdio j estavam previstas nos pores de Washington bem antes dos atentados do 11/9: o Projeto para o Novo Sculo Norte-Americano, iniciado em meados da dcada de 1990 pelo ento presidente Bill Clinton, foi reelaborado por futuros integrantes da equipe de governo de George H. Bush (filho) em 2000, ano das eleies presidenciais que dariam vitria justamente a Bush. No documento, os arquitetos dos crimes internacionais dos Estados Unidos, eufemisticamente chamados de poltica externa, alegam que apenas um novo Pearl Harbor seria capaz de motivar nova empreitada na regio mais rica em petrleo do planeta, e assim impulsionar a j combalida economia do pas poca. Se olharmos para os pases onde a proteo das grandes potncias tem operado, podemos ver que mais da metade das mortes em conflitos do mundo produzida ali, acrescenta o analista.As invases norte-americanas ao Afeganisto em 2001 e Iraque em 2003 ferem a Constituio dos Estados Unidos, a qual no autoriza guerra preventiva, isto , sem que o pas haja sido agredido antes. No plano externo, Washington e seus aliados tm passado por cima dos acordos internacionais estipulados pelas Naes Unidas (ONU), a qual prev guerra apenas como ao em caso de Ameaa paz, ruptura de paz e agresso de um Estado contra outro em sua Carta, captulo VII, ratificada por seus 193 pases-membros, incluindo os prprios Estados Unidos.Sobre as alegaes do ento presidente Bush de que Saddam Hussein armazenava e produzia bombas de destruio em massa, jamais encontradas, alm de ter tido ligaes com os terroristas do 11/9, fato tampouco comprovado, a ONU vistoriou o Iraque por vrios meses prvios invaso norte-americana sem ter encontrado nada que motivasse interveno militar, manifestando-se totalmente contrria invaso em consonncia com os pases da regio e de praticamente todas as partes do mundo.Para o analista finlands, a brutalidade das foras militares ocidentais que carece de legitimidade e fere a Conveno de Genebra, ataca indiscriminadamente os direitos humanos, impe seus valores e aumenta ataques areos visando apenas punio de supostos inimigos, sem considerar solidariedade internacional e o fortalecimento da ONU, gera efeito reverso aumentando atos terroristas e diminuindo a segurana dentro dos Estados Unidos e dos pases aliados. Apenas atravs de aes interativas de paz e de dilogo, esta espiral de escalada poderia ser encerrada, adverte. E observa ainda: Na imposio de justia e equidade, estes pases tornaram-se atores enquanto outros, especialmente os pases em desenvolvimento e muulmanos, os objetos de disciplina das coalizes militares, gerando ressentimento. As operaes militares no Oriente Mdio tm aumentado a violncia, de maneira que a proteo voltou-se contra aqueles que se tem o objetivo de proteger. As macias operaes militares ocidentais que minaram os direitos soberanos de muitos pases muulmanos e que causaram uma srie de fatalidades, deram origem expanso do radicalismo anti-ocidental no Terceiro Mundo muulmano. A lgica da escalada, do aprofundamento e da difuso do dio de ambos os lados se impuseram, e novas formas de terrorismo surgiram. Neste sentido, Tatchell aponta: A Guerra ao Terror est a ponto de se transformar em uma guerra de terror, com as novas leis draconianas que afirmam defender a liberdade, na verdade a minando.

Dentro do Reino Unido, maior aliado de Washington, Tatchell lembra que tem havido ataques e prises muitas vezes violentos de muulmanos totalmente inocentes, inclusive de muulmanos universitrios que pesquisavam a Al-Qaeda como parte dos estudos. Tais excessos so contraproducentes, contribuem para uma maior radicalizao da comunidade muulmana.

No Afeganisto, Joya aponta aos gastos militares bilionrios de Washington em seu pas como contraditrios, questionando o destino do dinheiro e observando que o Taliban, paradoxalmente, apenas se fortalece. Se uma pequena parte desse dinheiro fosse gasta de verdade na mudana de vida do povo afego, a situao poderia mudar, pontua a ativista.

Mencionando que democracia no pode ser imposta por interveno estrangeira segundo todas as evidncias histricas e a do prprio Afeganisto hoje, Friba afirma que a chave para a liberdade e para a democracia est em uma luta unida, organizada do nosso povo. Uma luta rdua que seja, mas no h outra maneira de sair deste atoleiro. Apenas as pessoas de um pas podem decidir seu destino, e construir um sistema que lhes serve. A isso, Joya acrescenta: No h dvidas de que o Afeganisto precisa de ajuda internacional para voltar aos trilhos e se reconstruir, mas ns no queremos ocupao, os afegos tm uma longa histria de oposio ocupao estrangeira.

Enquanto afirma que a maioria dos afegos considera que o governo dos Estados Unidos os traiu em nome de democracia e defesa dos direitos humanos, especialmente das mulheres historicamente oprimidas em seu pas, Friba alerta: As pessoas que amam a paz tm que enxergar a realidade do Afeganisto, e de todos os outros pases que os Estados Unidos invadiram. O que eles veem como raras notcias da situao catastrfica nesses pases, a realidade cotidiana do povo. Elas precisam pressionar seus governos para que mudem a poltica de invases e ocupao, e serem solidrias s vtimas dessas guerras, o que fortalecer a luta pela liberdade e pela democracia nesses pases. Elas devem saber que o imposto que pagam usado por seus governos para tornar o Afeganisto e outros pases em guerra um Inferno, que ir impactar diretamente suas vidas e tornar os pases ocidentais inseguros, como o que testemunhamos hoje nas cidades europeias.

Obama assumiu a Casa Branca em 2009 prometendo encerrar a ocupao no Afeganisto. Com o passar do tempo, contudo, foi se evidenciando que a promessa no seria cumprido at que, em 16 de maio de 2013, ficou claro que o presidente norte-americano no manteria fielmente a essncia velada da Guerra ao Terror, de perpetuar a ocupao em um pas estratgico pela localizao, prximo de rivais como China, Rssia e Ir, alm da proximidade em relao a pases com grandes reservas petrolferas e pela grande riqueza afeg em recursos minerais que, segundo Friba, tm sido privatizados por instituies imperialistas como FMI, Banco Mundial, OMS, com consequncias devastadoras ao pobre povo afego. Pois em maio de 2013, Michael Sheehan, secretrio-adjunto de Defesa para operaes especiais e conflitos de baixa intensidade, prenunciou que a guerra contra a Al-Qaeda e suas redes afiliadas poderia durar mais 20 anos, durante uma audincia no Senado a fim de solicitar autorizao para o uso da Fora Militar.

O governo dos Estados Unidos tem dado as mos aos mais brutais inimigos do povo afego, e instalado pessoas infames e corruptas em cargos-chave de seu regime-fantoche para avanar em seus interesses regionais no Afeganisto, afirma Joya. E acrescenta: As foras dos Estados Unidos e da OTAN no so srias em sua luta contra o Taliban, contra quem joga o jogo de Tom e Jerry. Todos sabem que derrotar um pequeno grupo como o Taliban no difcil para uma superpotncia apoiada por diversas outras naes, mas os Estados Unidos precisam do Taliban como desculpa para ficar no Afeganisto por muito tempo, e transformar o pas em sua base militar na regio para combater potncias asiticas tais como China, Rssia, Ir, entre outros, e tambm prosseguir com suas estratgias econmicas e militares na regio.

Assim, o regime de Obama apenas tem aumentado os crimes de guerra no Afeganisto matando at mais civis que Bush, superando este, em muitas vezes, at na utilizao dos devastadores drones, avies no tripulados considerados ilegais por ferir a soberania das naes e matar sem prvia sentena judicial, alm de colocar em maior risco a vida de civis inocentes conforme mostram claramente os fatos e o prprio relatrio da comisso bipartidria norte-americana que, em 2014, incluiu diversos ex-agentes da inteligncia e oficiais militares do pas. Os afegos esto esmagados entre quatro inimigos: as foras dos Estados Unidos e da OTAN, os criminosos e senhores da guerra da Aliana do Norte no governo impostos pelos norte-americanos, o Taliban e um Estado Islamita recm-surgido, diz Friba, garantindo tambm que o Afeganisto est pior agora que antes da invaso liderada pelos Estados Unidos.

De acordo com Joya, um dos grandes objetivos por trs da ocupao do Afeganisto restaurar o patrocnio do comrcio da droga e exercer controle direto sobre as rotas dos 600 bilhes de dlares anuais da indstria global dela, traada pela CIA. H relatos de que at o Exrcito dos Estados Unidos est engajado no trfico de drogas. O Afeganisto produz 93% do pio mundial, um aumento de 4.500% desde 2001 que coloca o pas, novamente, como maior produtor mundial da planta, e maior exportador da droga. A mfia da droga detm o poder afego, apoiada pelo Ocidente, denuncia Friba.

Dentro dos Estados Unidos, a prtica de tortura por parte da CIA em Guantnamo contra suspeitos de envolvimento com terrorismo, segundo Kiriakou, no se trata de exceo como se tentou fazer crer quando tal fato se tornou inegvel no final do mandato de Bush quem tentou se eximir de responsabilidades. Eu sabia que a CIA estava torturando seus prisioneiros, que a tortura era a poltica oficial da CIA e que o presidente havia aprovado, pessoalmente, a tortura. Perguntado se algo mudou com Obama, o ex-agente da CIA categrico: Honestamente, no acho que haja nenhuma diferena real entre George W. Bush e Barack Obama. Nossos mtodos de inteligncia esto exatamente da mesma maneira. E acrescenta: Sem superviso real por parte do Congresso, a CIA vai continuar fazendo o que bem entende em todo o mundo. A CIA tem de trabalhar para proteger o povo norte-americano respeitando os direitos humanos, os direitos civis e as liberdades civis. Ela no est fazendo isso. Segurana e liberdade no so mutuamente exclusivas. Podemos ter ambas.

Kiriakou enfatiza que os tomadores de deciso de Washington deveriam responder em um tribunal pelo que o ex-agente da CIA qualifica de guerras arbitrrias no Oriente Mdio. Uma guerra de arbitrria , por definio, uma guerra de agresso. Se George W. Bush, Richard Cheney, Donald Rumsfeld, Condoleeza Rice e outros fossem de qualquer outro pas, eles poderiam estar sentados no banco dos rus em Haia. Ganser segue a mesma linha e acrescenta que esta empreitada ocidental no Oriente Mdio uma batalha pelo poder, por petrleo e por gs natural. Est relacionada a dinheiro e geostratgia.

Para Ryan, nada disso do interesse dos principais meios de comunicao: Atualmente, so quase inteiramente de propriedade de apenas algumas grandes corporaes para impor a verdade sociedade. Como a General Electric pode vender armas se sua parceira, a rede de TV NBC, disser s pessoas a verdade sobre a guerra?.

O Novo Pearl Harbor

As implicaes do 11/9 possuem contradies e evidncias de sobra que apontam para execuo interna, isto , que norte-americanos em posies de poder foram responsveis pela realizao dos ataques, o que, diante de inmeras evidncias, o mais plausvel enquanto Bush e Obama fizeram de tudo para impedir uma investigao independente instada por pesquisadores locais e familiares de vtimas. Para o atual ocupante da Casa Branca, contraproducente olhar para trs, gerando profunda indignao a familiares de vtimas e pesquisadores da tragdia.A denominada Comisso do 11/9 foi, desde o incio, programada para defender o governo de Washington. Sofreu diversas interferncias de altos escales da poltica conforme Ryan observa: A Comisso do 11/9 no conseguiu responder 70% das perguntas colocadas pelas famlias do 11/9, responsveis por dirigir a criao da Comisso. Tambm importante perceber que um esboo do que viria a se tornar o Relatrio da Comisso do 11/9 foi produzido antes do incio da investigao. O esboo foi mantido em sigilo do pessoal da Comisso, e parece ter determinado o seu resultado. Alm disso, a Comisso alegou repetidas vezes, 63 vezes para ser exato, que no encontrou nenhuma evidncia relacionada a muitos dos aspectos mais importantes dos crimes. Esses fatos sugerem que a Comisso nunca teve nenhuma inteno de revelar a verdade sobre o 9/11?.Diversos fsicos e arquitetos norte-americanos, reunidos na organizao Architects & Engineers for 9/11 Truth(AE911Truth), observam que as Torres Gmeas e o World Trade Center 7 (WTC7) ruram velocidade de queda livre, o que s seria possvel atravs de imploso controlada. Embora a prefeitura de Nova Iorque, a mando de Bush, tenha removido imediatamente os resqucios dos edifcios que deveriam servir como investigao, alguns transeuntes conseguiram levaram consigo partes dos escombros que acabaram nas mos dos AE911Truth. Atravs de minuciosa investigao, foram constatados componentes de explosivos, mais especificamente dinamites em partes dos edifcios destrudos supostamente pelo choque dos avies, em tese sequestrados por muulmanos radicais. Quem colocou os explosivos nos edifcios do World Trade Center?, questiona Ryan. Quem foi convidado reunio de eliminao de explosivos/terrorismo no World Trade Center 7 na manh de 11 de setembro de 2001, e qual foi a ordem do dia? A segunda questo refere-se a uma reunio convocada por Larry Silverstein e pelo Servio Secreto no edifcio 7 do World Trade Center na manh de 11/9. Unidades de eliminao de explosivos provenientes de instalaes militares dos EUA haviam sido convidadas para a reunio. Foi apenas mais uma incrvel coincidncia? Precisamos saber mais sobre isso.Especificamente sobre a queda do WTC7, h o fato surpreendente para dizer o mnimo que ele ruiu sem ter sido chocado por nenhum avio. Foi ao cho por imploso controlada? Ou pelo fogo como o NIST [ National Institute of Standards and Technology] alega?, questiona Ganser lembrando que mesmo o NIST admite nos dias de hoje que o WTC7 levou poucos alguns segundos para cair. Isso significa que durante esses segundos,o edifcio sofreu resistncia zero, resistncia absolutamente nenhuma. No entanto, havia 81 colunas sustentando o edifcio. Desta maneira, isso muito estranho, observa Ganser.Outra pergunta entre as inmeras sem resposta envolvendo os ataques do 11/9, diz respeito ao tempo que os avies sobrevoaram o espao norte-americano: por at uma hora. Especialmente um deles, em direo ao Pentgono, local considerado o mais seguro do mundo, sem ter sido interceptado pelo sistema de segurana area que, pela primeira e nica vez na histria do pas, falhou inexplicavelmente diante de uma operao que levaria, no mximo, um minuto para que jatos interceptadores iniciassem o processo de deteno dos avies. Houve diversos discursos oficiais desencontrados na tentativa de explicar o que realmente aconteceu com a defesa area norte-americana naquele dia, um substituindo o outro, todos impossveis de serem sustentados. No caso particular da Standard Operating Procedures (Procedimentos Operacionais Padro, responsveis por garantir respostas de emergncia atravs dos jatos) estavam simplesmente suspensos em 11 de setembro de 2001 primeira e nica vez na histria dos Estados Unidos.

Muitas vezes as pessoas entendem mal, pensando que os transpnderes dos avies sequestrados foram todos desligados, e que os avies no poderiam ter sido rastreados. Esta afirmao no reconhece que as autoridades haviam rastreado avies que traficavam drogas via radar por muitos anos. Mais importante, o voo 175 no desligou o transponder. Este foi o segundo avio que atingiu o World Trade Center e seu transponder esteve ligado durante todo o tempo em que os defensores de ar o assistiam na tela. Por isso, eles sabiam que estava fora da rota. Voou sequestrado por 20 minutos aps o primeiro avio ter atingido o World Trade Center, cerca de 45 minutos aps o primeiro sequestro, fato sabido das lideranas da Administrao Federal de Aviao, precisa Ryan, quem tambm questiona: Na medida em que o piloto automtico avana, interessante notar que, de acordo com o estudo oficial da trajetria de voo, o piloto automtico do voo 77 [que atingiu o Pentgono] ficou ligado enquanto o avio era sequestrado, e ao longo de sua volta de 180 graus de volta para Washington. Parece que a volta a Washington foi parte do caminho do voo programado, ou o piloto automtico foi comandado instantaneamente.

Outra contradio diz respeito aos supostos sequestradores dos quatro avies, que segundo a verso oficial eram 19: seis deles, denunciados no mesmo dia pelo Federal Bureau of Investigation (FBI, polcia federal e secreta dos Estados Unidos), apareceram dias depois vivos em diferentes partes do mundo, denunciando no serem terroristas, possuindo os mesmos dados e a mesma fisionomia das alegadas pelos oficiais norte-americanos. Sobre isso, Ryan lamenta a ausncia de investigao por parte do FBI, quem at hoje mantm os seis na lista de sequestradores do 11/9. Os relatrios de que os homens acusados ainda estavam vivos no foram investigados pelo FBI, nem pela Comisso do 11/9. Mesmo o novo diretor do FBI, Robert Mueller, expressou publicamente dvidas sobre a identidade dos sequestradores.

Questionado sobre a hiptese de execuo interna, Ryan afirma: difcil discordar considerando que as pessoas fora dos Estados Unidos no poderiam ter feito o que precisava ser feito [a fim de atingir e derrubar as Torres Gmeas e o Pentgono]. Por exemplo, apenas norte-americanos poderiam ter levado a rede de comando dos pas a falhar, e apenas norte-americanos poderiam ter desativado as defesas areas. Em outro sentido, o 11/9 continua sendo uma execuo interna pela qual muitos norte-americanos no vo sequer atentar evidncia dos crimes. As barreiras psicolgicas so muito grandes.

Para Kiriakou, o 11 de Setembro foi, claro, a pior falha de inteligncia da histria dos Estados Unidos. A CIA nunca poder mudar isso. Ryan mostra-se pessimista que a verdade seja encontrada, e que justia seja feita: Nenhum dos presidenciveis [Clinton e Trump] vai fazer nada para desafiar a verso oficial do 11/9. Se o fizessem, nunca ouviramos nada sobre eles na mdia corporativa.

Edu Montesanti autor do livro Mentiras e Crimes da Guerra ao Terror (2012). Escreve para revista Caros Amigos, Jornal Pravda e Pravda Report (Rssia), Global Research (Canad), e Truth Out (Estados Unidos). tradutor do stio na Internet das Abuelas de Plaza de Mayo (Argentina) e da Associao das Mulheres Revolucionrias do Afeganisto (RAWA, na sigla em ingls); foi tradutor do stio na Internet da escritora, ativista pelos direitos humanos e ex-parlamentar afeg expulsa injustamente do cargo, Malala Joya. Escreveu para Dirio Liberdade (Galiza), Observatrio da Imprensa (TV Brasil) e Nolan Chart (Estados Unidos). www.edumontesanti.skyrock.com



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