The Revolutionary Association of the Women of Afghanistan (RAWA)
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RAWA.org, November 5, 2016

A Invasão Norte-Americana ao Afeganistão Mergulhou a Região Ainda Mais no Terrorismo!

Por isso, é claro que os EUA não trouxeram guerra contra esta parte do mundo para buscar vingança às vítimas do 11/9 ou para proteger seus cidadãos. O único objetivo era promover seus repugnantes planos imperialistas

Tradução de Edu Montesanti


RAWA statement: the US invasion of Afghanistan has further sunk the region in terrorism

Quinze anos atrás, os EUA e seus aliados bombardearam nossas pessoas indefesas e impotentes, e ocuparam o Afeganistão sob o pretexto da "Guerra ao Terror". A intervenção militar dos EUA foi, sem dúvida, o início de um novo capítulo de dor, sofrimento e miséria para nossa nação, já que os terroristas jihadistas substituíram os terroristas talibãs, e nosso país mergulhou no abismo do fundamentalismo, da misoginia, da corrupção, da insegurança, da pobreza, do desemprego, do tráfico de drogas, do saque dos recursos nacionais, da intervenção dos países vizinhos, e das milhares de outras catástrofes.

Quando os B-52 norte-americanos choveram sobre os brutais talibans, levando-os para longe de Cabul, e os criminosos jihadistas criados pela CIA foram instalados em seu lugar, a Associação das Mulheres Revolucionárias do Afeganistão (RAWA, na sigla em inglês) fez algumas previsões, a verdade que agora pode ser vista claramente após uma década e meia. Em apelo à ONU, datado de 31 de novembro de 2001, declarou: "A retirada do terrorista Taliban de Cabul é uma medida positiva, mas a entrada dos estupradores e bandidos da Aliança do Norte na cidade não é nada mais que uma notícia terrível e chocante para cerca de 2 milhões de habitantes de Cabul, cujas feridas dos anos 1992-96 ainda não foram curadas". Um ano depois dos ataques do 11 de Setembro (11/9), a RAWA afirmou novamente," Para o povo do Afeganistão, significa 'levar da frigideira direto para o fogo".

Em vez de os terroristas do Taliban, os terroristas jihadistas da Aliança do Norte foram instalados no poder. Os jihadistas e os fundamentalistas talibans possuem uma ideologia comum; Suas diferenças são as habituais dos irmãos de crença". Esta é a traição imperdoável dos EUA contra o povo do Afeganistão. além de apoiar o fundamentalismo afegão por quarenta anos.

Acreditamos, desde o início, que a agressiva misoginia do Taliban e dos jihadistas opressores não apenas surgiram da sua mentalidade e educação desumanas, mas foram também alimentadas pela ignorância e pelo fundamentalismo religioso. Acreditamos que, ao menos que este sistema desumano perca apoio financeiro e militar das potências imperialistas e dos governos reacionários de Irã, Paquistão e Arábia Saudita, essa misoginia raivosa não será extirpada do nosso país ao passo que uma sociedade baseada em democracia, justiça e igualdade não criará raízes em nossa pátria.

Já testemunhamos como as mulheres afegãs passaram os mais terríveis dias de sua vida sob o domínio dos EUA e de seu governo fantoche nos últimos quinze anos. As mulheres afegãs ainda não tinham experimentado altas taxas de violência, estupro, assassinato, mortalidade materna e outras formas de opressão iguais a estas, em nenhum outro período da história. O brutal assassinato de Farkhunda em público, o apedrejamento até a morte de Rukhshana, a queima até a morte de Zahra, a decapitação de Tabasum, o estupro de Bashira, Samia e Shakeela, e dezenas de outros casos são suficientes para retratar a intensidade da violência contra as mulheres em nossa terra ocupada por EUA e OTAN, e seus miseráveis talibans e jihadistas.

Os EUA invadiram o Afeganistão aparentemente para desmantelar a Al-Qaeda e outros terroristas, e em busca de vingança por causa do sangue de 3 mil norte-americanos mortos nos ataques do 11/9, e mais tarde atacaram Iraque, Líbia, Síria, Iêmen e outros parceiros daquele país e mataram milhares de pessoas inocentes no derramamento de sangue que se seguiu.

A questão mais importante é que, contrariamente às suas reivindicações enganosas e propagandas, os invasores norte-americanos não só não conseguiram desmantelar e enfraquecer o Taliban e a Al-Qaeda, como ainda fortaleceram tais grupos, e criaram e financiaram grupos muito mais sanguinários - como Estado Islamita (ISIS) - cujos ataques terroristas hoje se espalham até mesmo entre cidades europeias. Assim, é claro que os EUA não trouxeram guerra contra esta parte do mundo para buscar vingança às vítimas do 11/9 nem para proteger seus cidadãos; Seu único propósito era avançar em seus repugnante planos imperialistas, e nesta última década e meia a guerra matou milhões de pessoas, e causou milhões de outros refugiados. Hoje, em um impasse sem precedentes entre os EUA e seus maiores rivais, Rússia e China, o mundo está seguindo um caminho perigoso. Em caso de guerra entre estes países, o Afeganistão será um dos lugares mais suscetíveis a ataques devido à presença das bases militares norte-americanas.

Hoje, é perfeitamente sabido que a guerra dos Estados Unidos é e sempre foi contra o povo inocente e indefeso do Afeganistão, e não contra Taliban, Al-Qaeda e outros terroristas. Recentemente, enquanto os criminosos da quadrilha de Gulbuddin (que reivindicaram autoria em vários ataques suicidas sangrentos) foram "honrosa e respeitosamente" acolhidos no círculo de criminosos no governo fantoche, 14 afegãos inocentes foram mortos e outras dezenas feridas em um ataque de drones dos EUA no distrito de Achin, província de Nangarhar. O ataque, aparentemente, foi executado a fim de matar elementos do ISIS.

A Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão acreditam firmemente Afeganistão que não experimentará a prosperidade enquanto os ocupantes norte-americanos estiverem presentes em nosso país, e seu governo fantoche de fundamentalistas e não fundamentalistas governarem nosso povo. O único caminho para a liberdade das garras monstruosas dos ocupantes e seu regime corrupto, é a unidade e a consciência do nosso povo. Uma livre e orgulhosa nação pode tomar o destino em suas suas próprias mãos, e livrá-la das mãos e dos gostos de John Kerry que determinam os rumos do país.

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